Quando a educação atravessa 90 quilômetros de coragem | 8 de Março – Dia Internacional da Mulher

SIMMP

Redação

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Todos os dias, muito antes do sol nascer sobre Vitória da Conquista, uma rotina silenciosa começa. Às 4h da manhã, enquanto a maior parte da cidade ainda dorme, a professora Gilmara dos Santos Araújo já está de pé.

Não é apenas o despertador que a chama. É o compromisso. Antes mesmo de sair de casa, ela organiza a vida de quem fica: deixa tudo preparado para a mãe, que tem baixa visão, e para a filha. Só depois disso começa outra jornada — a da estrada. Às 6h, Gilmara sai de casa. Às 6h20, já está no ponto, em frente às Lojas Americanas, na Avenida Lauro de Freitas, no Centro. Ali começa o percurso de quase 90 quilômetros até a Escola Municipal Rui Barbosa, na localidade de Cercadinho, uma das regiões mais distantes da zona rural do município.

São cerca de duas horas de viagem entre asfalto e estrada de terra — um caminho que, em tempos de chuva, vira lama, buracos e desafios. Quando chega à escola, às 8h, não há pausa para café da manhã. Já é hora de entrar em sala e ensinar. Ensinar com presença, ensinar com cansaço, ensinar com dedicação.

O dia segue com aulas também no turno da tarde e quando o relógio marca 16h45, começa a viagem de volta. Mais estrada, mais quilômetros, mais tempo. Quase 19h quando finalmente chega em casa. Essa é a rotina de Gilmara, dia após dia, semana após semana.

E essa história não foi contada à distância. O Simmp acompanhou de perto cada etapa dessa jornada, registrando a rotina da professora desde o momento em que ela sai de casa, ainda de madrugada, até o retorno no início da noite. Um dia inteiro que revela, na prática, os desafios enfrentados por quem ensina na região mais distante da zona rural.

Uma rotina que revela algo que muitas vezes passa despercebido: a educação pública brasileira é sustentada pela força de mulheres trabalhadoras. Mulheres que acordam antes do amanhecer; Mulheres que atravessam longas distâncias; Mulheres que cuidam da casa, da família e ainda encontram energia para ensinar.

No Dia Internacional da Mulher, a história da professora Gilmara é mais do que um relato, é um retrato de milhares de educadoras que fazem da profissão um ato cotidiano de resistência. Mesmo com uma rotina tão intensa, Gilmara ainda sonha com coisas simples: ter tempo para fazer uma academia, cultivar uma vida social, viver um pouco além da correria.

E é por isso que ela também pede algo essencial: um olhar mais sensível da gestão pedagógica e da gestão escolar para a realidade de quem trabalha em Cercadinho — a localidade mais distante da zona rural conquistense. Porque quem percorre 90 quilômetros para ensinar merece mais do que reconhecimento. Merece valorização, condições dignas e incentivo.

Hoje, neste 8 de março, o Simmp presta homenagem não apenas à professora Gilmara dos Santos Araújo, mas a todas as mulheres que fazem da educação um caminho de luta, cuidado e transformação. Porque cada aula dada depois de uma viagem tão longa é também um gesto de amor pela educação pública. E histórias como essa nos lembram de algo fundamental: a educação caminha todos os dias sobre os passos firmes das mulheres.

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