No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, é imperativo analisar criticamente as ações do Governo Municipal de Vitória da Conquista em relação à educação inclusiva. Embora leis municipais como a nº 2.971/2025 garantam prioridade na matrícula para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a implementação prática dessas políticas revela contradições preocupantes.
A referida lei, proposta por um vereador da base governista, assegura prioridade de matrícula para alunos com TEA. No entanto, a eficácia dessa medida é questionável quando as escolas municipais enfrentam uma carência alarmante de profissionais especializados, como auxiliares de vida escolar e cuidadores. Essa lacuna compromete diretamente a qualidade do atendimento e a permanência desses alunos no ambiente escolar.
O Governo Municipal afirma investir em educação inclusiva de qualidade. Contudo, relatos recentes evidenciam a falta de cuidadores nas escolas municipais, impedindo que crianças com necessidades específicas, como aquelas com autismo, participem plenamente das atividades escolares. Essa discrepância entre o discurso oficial e a realidade vivida nas escolas aponta para uma negligência nas políticas públicas voltadas à educação inclusiva.
A aprovação de leis que priorizam a matrícula de alunos com TEA é um passo positivo, mas insuficiente sem a devida estruturação das escolas. A ausência de profissionais capacitados para atender às necessidades desses alunos evidencia uma falha na implementação das políticas inclusivas. Além disso, a falta de diálogo efetivo com a comunidade escolar e os profissionais da educação agrava a situação, resultando em medidas desconectadas da realidade das escolas.
No Dia Mundial do Autismo, é essencial que o Governo Municipal de Vitória da Conquista vá além das declarações e legislações simbólicas, implementando ações concretas que garantam a verdadeira inclusão dos alunos com TEA. Isso inclui a contratação e formação de profissionais especializados, a adequação das infraestruturas escolares e o compromisso genuíno com a educação inclusiva. Somente assim será possível transformar a retórica em realidade e assegurar uma educação de qualidade para todos.
O Simmp segue firme na luta pela educação inclusiva, denunciando a falta de estrutura e cobrando do Governo Municipal o cumprimento efetivo das políticas públicas. Enquanto isso, muitas famílias sofrem ao ver seus filhos fora da sala de aula, privados do direito básico à educação, simplesmente porque não há cuidadores suficientes nas unidades escolares. O descaso da gestão municipal com a inclusão educacional reflete diretamente na vida dessas crianças e adolescentes, que encontram barreiras impostas pela negligência do poder público. Educação para todos não pode ser apenas discurso, mas uma realidade garantida com investimento e valorização dos profissionais que tornam a inclusão possível.
