Reparou na quantidade de braços levantados na foto acima? Esse registro da assembleia que aconteceu ontem (2), mostra o tamanho da preocupação dos professores da rede municipal de Vitória da Conquista com os rumos da nossa rotina de trabalho. Por unanimidade dos 313 profissionais presentes, a categoria rejeitou a proposta da nova aba que foi inserida no Diário Digital, e o Simmp vai levar essa decisão oficial diretamente para a Secretaria Municipal de Educação (Smed), com o pedido claro de que essa funcionalidade não seja implementada.
Quando o sindicato procurou o Núcleo Pedagógico para entender a origem de tantos campos novos no aplicativo, a justificativa apresentada foi de que a aba se trata apenas de um teste. Compreendemos a posição técnica, mas a experiência prática desse teste já foi suficiente para a categoria perceber o quanto o processo se torna exaustivo e difícil de gerenciar no dia a dia. A Smed tem a prerrogativa das suas decisões de gestão, mas o papel do sindicato é alertar que, enquanto o foco se volta para o preenchimento de telas, as condições reais de trabalho continuam as mesmas de sempre e demandas antigas, como a entrega dos tablets prometidos para as unidades de ensino, ainda não se concretizaram.
O desgaste na saúde dos professores é uma realidade preocupante que atinge toda a rede e precisa ser levada em conta. Uma professora mandou um e-mail que circulou bastante entre as escolas e resume com muita sensibilidade essa sobrecarga, explicando que o tempo de planejamento de apenas um dia já é engolido pelas demandas pedagógicas normais. Ela pontuou que, no caso de quem tem 10 turmas, a nova exigência significa repetir os mesmos registros detalhados de objetivos, justificativas e habilidades 10 vezes por semana, o que acaba empurrando o profissional para o trabalho fora do horário e nos fins de semana. É um volume burocrático muito pesado que acaba tirando o foco principal que deveria estar na recuperação da aprendizagem dos alunos.

Essa situação que estamos vivenciando em Vitória da Conquista ilustra bem o debate trazido pela Prof.ª Dr.ª Amanda Moreira no IV Congresso do Simmp, que ocorreu nos dias 28 e 29 de maio, quando ela alertou sobre a plataformização da educação. A tecnologia, que deveria vir para desburocratizar e apoiar o trabalho docente, acaba funcionando como um mecanismo de controle e intensificação de tarefas virtuais, onde o professor perde tempo precioso de dedicação ao ensino para se concentrar no preenchimento de dados exigidos pelo sistema, gerando ainda mais estresse e adoecimento na nossa base.
O professor não é uma máquina com energia inesgotável e precisamos zelar pelo bem-estar e pelo tempo de descanso de quem está na sala de aula. A decisão da assembleia foi tomada de forma coletiva e o sindicato vai buscar o diálogo com a Smed para que essa demanda seja revista com respeito e sensibilidade em relação à realidade dos educadores.